Política

Brasil assume liderança climática na COP 30 em Belém

208

A COP 30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, inicia oficialmente na segunda-feira (10/11) em Belém, no Pará, reunindo representantes de mais de 180 países para debater ações ambientais globais. Especialistas consultados destacam que o evento representa uma oportunidade para o Brasil fortalecer sua posição na agenda climática, ampliando discussões sobre temas como sistemas alimentares e resiliência à produção de alimentos frente às mudanças climáticas. Marcello Brito, secretário-executivo do Consórcio dos Estados da Amazônia Legal, avalia que as COPs evoluem o debate societal, citando o exemplo da COP 27 no Egito, onde o tema ganhou destaque. Antecedendo a conferência, a Cúpula do Clima no Brasil enfatizou a transição justa, o combate ao desmatamento e medidas concretas contra o aquecimento global, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticando o distanciamento dos objetivos do Acordo de Paris, que completa uma década em 2025, e prometendo renovar compromissos na COP 30.

A transição energética emergiu como tema central, com o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, alertando que depender de combustíveis fósseis é autodestrutivo para economias e humanidade. No entanto, o Brasil enfrenta controvérsias ao ampliar a exploração de petróleo, como a licença concedida pelo Ibama à Petrobras para perfuração na margem Equatorial do Rio Amazonas, criticada por ambientalistas. Lula defendeu a redução da dependência do petróleo e sugeriu direcionar lucros para projetos de energia limpa em países em desenvolvimento. Para Marcello Brito, essa decisão não é coincidência e visa amadurecer o debate nacional, superando polarizações. Pedro Plastino, especialista em negócios climáticos, vê o conflito como parte da transição, destacando que o Brasil avança para uma economia de baixo carbono, com iniciativas como a Lei Combustível do Futuro, apesar da presença persistente dos fósseis.

O agronegócio brasileiro ganha protagonismo na COP 30, com especialistas como Pedro Plastino otimistas sobre sua participação, argumentando que o setor reconhece oportunidades de redução de impactos e ganhos econômicos na agenda climática. Ludmila Rattis, professora da Fundação Dom Cabral, aponta reduções de emissões na agropecuária entre 7% e 11% ao ano de 2010 a 2023, graças a políticas como o Plano de Agricultura de Baixo Carbono (rebatizado RenovAgro) e a Moratória da Soja. Apesar de críticas de entidades do agro ao Plano Clima, o governo mantém a meta de lançá-lo durante a conferência. Plastino prevê que o Brasil sairá fortalecido geopoliticamente, com liderança ambiental e proximidade à União Europeia, contrastando com a ausência dos Estados Unidos sob Donald Trump, que planeja sair do Acordo de Paris.

Conteúdos relacionados

Dreno torácico em quarto de hospital após pneumotórax
PolíticaSaúde

Governadora Celina Leão segue internada com dreno no pulmão após pneumotórax

A governadora Celina Leão permanece internada no Hospital Santa Lúcia para drenagem...

PEC proíbe a cobrança de impostos sobre bens e serviços de templos religiosos Bruno Spada/Câmara dos Deputados - 28.05.2026
BrasilPolítica

Câmara aprova ampliação de imunidade tributária para igrejas e entidades filantrópicas

A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos, na quinta-feira (28 de...

Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF)
Cultura e LazerDistrito FederalPolítica

CLDF abre exposição “Linhas da Resistência” a partir de 3 de junho de 2026

A Câmara Legislativa do Distrito Federal prepara a abertura de uma exposição...