Mundo

Embaixador aponta embate geopolítico entre EUA e China no debate climático da COP

256

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), destacou uma disputa geopolítica entre os Estados Unidos e a China no contexto das negociações climáticas. Em entrevista ao programa Brasil no Mundo, exibido na TV Brasil no último domingo, ele observou que a China surge como principal apoiadora da nova economia sustentável, enquanto o governo norte-americano defende um retorno aos modelos econômicos tradicionais baseados em combustíveis fósseis. “O país para o qual os Estados Unidos estão de olhando é a China e a China está totalmente apoiadora desta agenda de combate à mudança do clima. Então tornou-se quase um embate geopolítico dentro desta negociação de qual direção o mundo deve tomar”, afirmou Corrêa do Lago. Ele expressou preocupação com setores econômicos e políticos dos EUA, que temem perder a liderança tecnológica ao resistir à transição energética, descrevendo essa divergência como um aspecto interessante a ser observado na COP.

Corrêa do Lago alertou para o que classifica como “negacionismo econômico”, exemplificado pelas posições do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, que reconhece o impacto humano nas mudanças climáticas, mas as vê como consequência positiva do desenvolvimento, priorizando adaptação em vez de mitigação. O embaixador ressaltou que tecnologias substitutas aos combustíveis fósseis já são mais baratas em diversos setores, tornando difícil negar essa tendência econômica. Sobre a ausência oficial dos Estados Unidos na conferência, ele destacou a participação de governadores, como o da Califórnia, que representam 60% do PIB norte-americano. “A ausência do governo norte-americano faz com que o governo não participe, mas a ausência mais marcante dos EUA é se persistirem em um direcionamento de voltar para os combustíveis fósseis”, avaliou, alertando para o impacto global devido ao peso econômico do país.

No âmbito de iniciativas brasileiras, o embaixador apresentou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) como um instrumento inovador de financiamento, focado na preservação de florestas, biodiversidade e apoio a populações locais. Por estar fora dos mecanismos oficiais da COP, o fundo permite contribuições de países em desenvolvimento, como Brasil e China, abrindo portas para nações como a China participarem. Corrêa do Lago explicou que o TFFF visa atrair fundos soberanos em busca de rendimentos fixos, com expectativa de novos investimentos anunciados após a conferência, embora o modelo inovador exija tempo para compreensão pelos países envolvidos.

Conteúdos relacionados

Auditório da UnB preparado para seminário sobre controvérsias atuais
BrasilEducaçãoMundo

UnB inicia seminário “Espírito do Tempo” com debates sobre controvérsias atuais

A Universidade de Brasília (UnB) promove, a partir da próxima segunda-feira, o...

Governo deve editar um novo Plano Brasil Soberano ainda nesta quarta: repasse previsto é de R$ 13 bi Ricardo Stuckert/PR - 17.07.2026
EconomiaMundoPolítica

Exportadores pedem retomada do Reintegra a MDIC e Itamaraty para enfrentar tarifaço dos EUA

Empresários do setor exportador se reuniram na terça-feira, 21 de julho de...

Ministro da Fazenda critica interferência dos EUA na política econômica brasileira Tomaz Silva/Agência Brasil - 02.07.2026
BrasilMundoPolítica

Ministro da Fazenda chama de inadmissível pressão dos EUA sobre o Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como inadmissível qualquer tentativa de...

Para Eduardo, ao considerar ilícita a atuação dele nos EUA, o STF trata a gestão Trump como criminosa Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados - Arquivo
MundoPolítica

Eduardo Bolsonaro pede a Trump retomada de sanções contra Alexandre de Moraes

Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PL-SP, pediu publicamente a Donald Trump que...