No final de novembro, com o sol escaldante sobre os pomares irrigados do Vale do São Francisco, produtores de manga celebram o fim da apreensão causada pelas tarifas impostas pelo governo Donald Trump. Após mais de três meses de incertezas, a retirada das taxas sobre a fruta abriu caminho para estratégias de diversificação de mercados e redução da dependência de grandes exportadores. Pequenos produtores, em particular, visam vendas diretas ao exterior para melhorar margens de lucro. Georgeano Santos, de Juazeiro, na Bahia, exemplifica essa tendência: em seus 26 hectares no Rancho Sagrada Família, ele produz mil toneladas anuais de variedades como palmer, tommy, keitt e kent, com 85% destinados à exportação para União Europeia, Estados Unidos, Mercosul e Coreia do Sul. No entanto, apenas 10% são vendidos diretamente, e Santos planeja expandir isso até 2026, impulsionado por investimentos em tecnologia que elevaram a produtividade de 25 para 35-40 toneladas por hectare.
Francisco Luiz Torrisi, proprietário da fazenda Barach, também em Juazeiro, segue o mesmo rumo. Filho de imigrantes italianos, ele exporta 88% de suas 1.200 toneladas anuais por intermédio de grandes empresas, mas almeja 50% de vendas diretas no curto prazo, com meta de quadruplicar a produção para 5 mil toneladas até 2030. Iniciando com seis hectares no Projeto Salitre em 2018, Torrisi expandiu para 218 hectares, priorizando solos ricos em cálcio para frutas mais resistentes. Parcerias com escritórios especializados e participação em feiras visam atrair clientes internacionais, valorizando a história por trás do produto. A GrandValle, grande exportadora de Casa Nova com faturamento de R$ 700 milhões anuais, complementa o cenário: fundada por Gilberto Secchi em 1988, a empresa cultiva 600 hectares de manga e 150 de uva, mas 70% de seu comércio depende de compras de terceiros, com planos de expansão para 2 mil hectares adicionais.
A visita de potenciais compradores estrangeiros, organizada pelo Projeto Comprador da CNA, Sebrae e Apex, reforça as oportunidades. Representantes como a bielorussa Volga Bazyleva, de Cingapura, e Diry Khandan, da holandesa Kurdino, buscam entender a produção brasileira para fomentar negócios com mercados como China, Líbano e Europa, destacando o potencial ilimitado do Brasil em frutas frescas.