A crise climática ganha contornos urgentes no combate ao desperdício de alimentos, responsável por até 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. No Brasil, o setor de alimentos frescos, como frutas, legumes e verduras, destaca-se como foco principal, com perdas que impactam tanto o meio ambiente quanto a eficiência do varejo. Iniciativas internacionais, como o Food Waste Breakthrough do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), reforçam o compromisso de reduzir pela metade o desperdício até 2030, associando-o à diminuição das emissões de metano, gás com impacto até 80 vezes maior que o dióxido de carbono em 20 anos. No país, a nova Estratégia Intersetorial para Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos, desenvolvida pelo Governo Federal em parceria com a Embrapa, alinha-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2, 12 e 13, que tratam da erradicação da fome, consumo responsável e ação climática, respectivamente.
Essas políticas convergem para a necessidade de integrar a gestão de alimentos às agendas ambientais, especialmente em um contexto onde 19% dos alimentos globais são desperdiçados pelos consumidores e 13% se perdem antes do varejo, enquanto 733 milhões de pessoas enfrentam fome. No Brasil, com mais de 70% do consumo alimentar concentrado em áreas urbanas – proporção que deve subir para 80% até 2050 –, os resíduos orgânicos representam o principal material aterrado em muitos municípios, com potencial de dobrar as emissões se nada for feito. A Pesquisa de Eficiência Operacional 2025 da ABRAS indica perdas de 4,73% em frutas, legumes e verduras, seguidas por padaria e rotisseria, revelando impactos econômicos e ambientais significativos.
Cidades como Curitiba, Florianópolis e Rio de Janeiro lideram esforços contra o desperdício por meio de políticas urbanas integradas, enquanto a inteligência artificial surge como ferramenta chave no varejo, analisando dados de vendas e logística para reduzir perdas em até 25% e rupturas em 30%. Essa abordagem não só melhora a eficiência operacional, mas também apoia metas de sustentabilidade, posicionando o Brasil como possível líder climático ao transformar a gestão de alimentos frescos em estratégia de Estado e mercado, conforme defende Marco Perlman, cofundador e CEO da Aravita.