No coração de Brasília, uma audiência pública realizada em 1º de fevereiro de 2024 expôs as falhas persistentes no combate à hanseníase no Distrito Federal. Convocada pelo deputado Fábio Felix (Psol), o evento reuniu representantes da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), a Dra. Maria Silva, entidades civis, profissionais de saúde e a Associação de Portadores de Hanseníase, mas destacou mais os obstáculos do que as soluções. Transmitida ao vivo pelo YouTube no auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal, a discussão revelou como o preconceito e a falta de conscientização continuam a agravar uma doença milenar que poderia ser controlada.
Estigma e preconceito como barreiras principais
O debate enfatizou o estigma social que cerca a hanseníase, impedindo que muitas pessoas busquem diagnóstico e tratamento precoce. Representantes alertaram que o medo da discriminação leva a atrasos graves, resultando em sequelas irreversíveis como deformidades e incapacidades. Apesar dos esforços para promover conscientização, o evento mostrou que o preconceito persiste, minando iniciativas de prevenção e acesso ao tratamento.
Muitas pessoas evitam buscar ajuda médica por medo de discriminação, o que agrava o quadro da doença. — deputado Fábio Felix
Desafios no diagnóstico e tratamento
Profissionais de saúde apresentaram dados alarmantes sobre a detecção tardia da hanseníase, que eleva o risco de complicações permanentes. A Dra. Maria Silva destacou a importância do diagnóstico precoce, mas criticou a insuficiência de recursos e treinamentos no sistema público. O encontro revelou lacunas no atendimento, com entidades civis cobrando mais investimentos para erradicar a doença no DF.
Quanto mais cedo a doença for identificada, menor o risco de sequelas, como deformidades e incapacidades. — Dra. Maria Silva
Chamado por ações urgentes
O deputado Fábio Felix conclamou uma transformação do conhecimento em ações concretas, mas o tom negativo do debate sublinhou a lentidão do progresso. Participantes discutiram estratégias para combater o preconceito e melhorar o acesso ao tratamento, porém, a ausência de compromissos imediatos deixou claro os desafios contínuos. A audiência pública, embora informativa, expôs a necessidade de medidas mais agressivas para prevenir a propagação da hanseníase.
Precisamos transformar o conhecimento em ação para erradicar essa doença. — deputado Fábio Felix
Impacto persistente no Distrito Federal
Dois anos após o evento, em 2026, os problemas discutidos na audiência de 2024 ainda ecoam, com relatos de estigma e diagnósticos tardios. A iniciativa visava promover conscientização e prevenção, mas o foco negativo revelou falhas sistêmicas na saúde pública. Entidades civis e profissionais continuam a pressionar por mudanças, alertando que sem ações decisivas, a hanseníase permanecerá uma ameaça silenciosa no DF.