Uma pesquisa conduzida pelo Correio em parceria com o Instituto Opinião Inteligência Política revelou que 81,2% dos moradores do Distrito Federal defendem a eleição direta de administradores regionais. O levantamento, realizado de forma presencial entre 11 e 15 de junho de 2026, ouviu 1.095 pessoas em todas as 35 regiões administrativas e mostrou forte apoio à mudança no modelo atual, no qual os gestores são nomeados pelo governador.
Resultados do levantamento
O estudo destaca a demanda por maior participação popular, representatividade e accountability na administração local. Atualmente, a indicação política dos administradores gera percepção de distanciamento entre a população e a gestão regional. Os dados indicam que a maioria dos entrevistados deseja influenciar diretamente essa escolha, especialmente porque o administrador regional ocupa papel de referência em um território sem prefeitos.
Visões de especialistas
Cientistas políticos e advogados analisaram os achados. Rócio Barreto observou que o resultado sugere demanda relevante por participação popular, embora não signifique necessariamente falha no modelo vigente. Ela acrescentou que a falta de poder de escolha pode ampliar o distanciamento entre população e administração. Teresa Starling ressaltou que, como não há prefeito, o administrador regional assume posição de referência, tornando compreensível o desejo de maior influência popular.
Se a alteração se limitar apenas ao processo de escolha do administrador, ele terá pouco poder e autonomia, continuando dependente da boa relação com o governador
Jonatas Moreth
Há sérios riscos de conflitos entre administradores; aumento do custo eleitoral e risco de fragmentação de políticas públicas. Mas, há pontos positivos a serem considerados: maior participação da população local na escolha do administrador e, consequentemente, mais legitimidade política dos administradores
Tatielle Carrijo Belarmino
Tatielle Carrijo Belarmino e Jonatas Moreth alertam para possíveis conflitos, aumento de custos eleitorais e fragmentação de políticas, mas reconhecem ganhos em legitimidade. Teresa Starling completou que a eleição direta poderia elevar a legitimidade do cargo, desde que acompanhada de regras claras sobre orçamento, atribuições e responsabilidade.