A COP 30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, inicia oficialmente na segunda-feira (10/11) em Belém, no Pará, reunindo representantes de mais de 180 países para debater ações ambientais globais. Especialistas consultados destacam que o evento representa uma oportunidade para o Brasil fortalecer sua posição na agenda climática, ampliando discussões sobre temas como sistemas alimentares e resiliência à produção de alimentos frente às mudanças climáticas. Marcello Brito, secretário-executivo do Consórcio dos Estados da Amazônia Legal, avalia que as COPs evoluem o debate societal, citando o exemplo da COP 27 no Egito, onde o tema ganhou destaque. Antecedendo a conferência, a Cúpula do Clima no Brasil enfatizou a transição justa, o combate ao desmatamento e medidas concretas contra o aquecimento global, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticando o distanciamento dos objetivos do Acordo de Paris, que completa uma década em 2025, e prometendo renovar compromissos na COP 30.
A transição energética emergiu como tema central, com o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, alertando que depender de combustíveis fósseis é autodestrutivo para economias e humanidade. No entanto, o Brasil enfrenta controvérsias ao ampliar a exploração de petróleo, como a licença concedida pelo Ibama à Petrobras para perfuração na margem Equatorial do Rio Amazonas, criticada por ambientalistas. Lula defendeu a redução da dependência do petróleo e sugeriu direcionar lucros para projetos de energia limpa em países em desenvolvimento. Para Marcello Brito, essa decisão não é coincidência e visa amadurecer o debate nacional, superando polarizações. Pedro Plastino, especialista em negócios climáticos, vê o conflito como parte da transição, destacando que o Brasil avança para uma economia de baixo carbono, com iniciativas como a Lei Combustível do Futuro, apesar da presença persistente dos fósseis.
O agronegócio brasileiro ganha protagonismo na COP 30, com especialistas como Pedro Plastino otimistas sobre sua participação, argumentando que o setor reconhece oportunidades de redução de impactos e ganhos econômicos na agenda climática. Ludmila Rattis, professora da Fundação Dom Cabral, aponta reduções de emissões na agropecuária entre 7% e 11% ao ano de 2010 a 2023, graças a políticas como o Plano de Agricultura de Baixo Carbono (rebatizado RenovAgro) e a Moratória da Soja. Apesar de críticas de entidades do agro ao Plano Clima, o governo mantém a meta de lançá-lo durante a conferência. Plastino prevê que o Brasil sairá fortalecido geopoliticamente, com liderança ambiental e proximidade à União Europeia, contrastando com a ausência dos Estados Unidos sob Donald Trump, que planeja sair do Acordo de Paris.