A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Alimentos, Produtos Agrícolas e Subprodutos de Origem Animal (CFNA), vinculada ao Ministério do Comércio chinês, planejam assinar um memorando de entendimento na COP 30. O objetivo é estabelecer diretrizes de cooperação e boas práticas na cadeia da soja brasileira exportada para a China. De acordo com Bernardo Pires, diretor de sustentabilidade da Abiove, o documento visa fomentar assistência técnica, extensão rural, transferência de tecnologia para aumentar a produtividade e definir critérios socioambientais alinhados à legislação brasileira. Entre os requisitos, as propriedades devem ter Cadastro Ambiental Rural regular, ausência de embargos do Ibama, não constar na lista de trabalho escravo, evitar sobreposições com unidades de conservação ou terras indígenas e proibir desmatamento sem autorização. Inicialmente um acordo de intenções, o memorando tem potencial para evoluir para parâmetros vinculantes, refletindo a pressão internacional sobre a China para adotar padrões socioambientais.
Pires destacou o crescente interesse chinês em práticas internacionais, prevendo adoções no curto prazo. No contexto do comércio global, a indústria brasileira observa com cautela o acordo entre Estados Unidos e China sobre compras de soja, que impacta diretamente o Brasil, principal fornecedor chinês e concorrente dos americanos. O diferencial competitivo da soja brasileira inclui qualidade superior, como teor de proteína de até 37% em regiões como o oeste da Bahia, contra 33% da americana, embora ambos sigam o preço de referência da Bolsa de Chicago. A China absorve cerca de 74% das exportações brasileiras de soja, totalizando US$ 40 bilhões dos US$ 60 bilhões exportados no ano passado, enquanto a Europa responde por apenas 8%, limitando opções de redirecionamento. Pires avalia que o cenário tende a manter as relações comerciais estáveis, similar ao período anterior às tensões entre Pequim e Washington, consolidando o Brasil como maior produtor e exportador mundial.