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Por que CV e PCC não conseguem dominar o DF? A resposta que ninguém te contou

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Nos últimos meses, a imprensa tem mostrado um fenômeno crescente: integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) têm fugido do Rio e de São Paulo em direção ao Distrito Federal e ao Entorno. Buscam abrigo, anonimato e a chance de reconstruir suas bases longe da pressão policial dos seus estados de origem. Em outras situações, chegam recrutados, com missão clara: expandir o crime organizado para o coração do país.

Mas aqui, o plano não tem funcionado.

O DF se tornou um dos ambientes mais hostis do Brasil para facções criminosas. A integração entre Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal criou uma barreira real, e eficiente, contra qualquer tentativa de ocupação territorial. O resultado tem se repetido: faccionados acabam mortos em confronto ou presos antes de se estabelecerem.

1 – O rastro de violência deixado pelas facções

A rivalidade entre CV e PCC tem provocado mortes tanto no DF quanto no Entorno. Moradores, rivais e até membros das próprias organizações entram para as estatísticas dessa guerra silenciosa.

O caso de Weberth da Silva Alves, do PCC, é exemplar: suspeito de ao menos quatro homicídios em Águas Lindas de Goiás, ele mandou executar um integrante do CV, crime filmado pelos próprios algozes.

Em abril, três membros do PCC morreram após atirarem contra policiais da CPE em Águas Lindas. Entre eles, Edson dos Santos Guedes, “BB”, que dias antes ostentava armamento pesado nas redes sociais.

Em novembro, em Anápolis, José Almeida Santana, o “Pedro Bó”, figura do “Novo Cangaço” e líder do PCC, morreu em confronto dentro de um supermercado.

2 – Quando a ostentação entrega o esconderijo

Nem sempre o destino dos faccionados é o cemitério. Em muitos casos, a queda vem antes da consolidação das operações. Foi assim com Lucas Menezes de Araújo, o “LK”, do CV, preso em Ceilândia após ostentar armas, drogas e símbolos de status nas redes sociais. E com Danúbio de Jesus Gomes, o “Uba”, do PCC, capturado em Brazlândia em operação conjunta da Polícia Civil e da PM.

A mensagem é clara: hoje, quem tenta se camuflar no DF é identificado e preso.

3 – A pergunta central: por que as facções não dominam o DF?

É simples, e poucos sabem: o DF tem uma das inteligências penais mais ativas e estratégicas do país.

A Polícia Penal mapeia cada membro de facção, suas conexões, áreas de atuação e tentativas de articulação. Isso impede crescimento dentro do cárcere e frustra a expansão dessas organizações.

Além disso: índice baixíssimo de corrupção nas unidades; zero telefones circulando; disciplina rígida, com direitos assegurados, mas sem regalias para faccionados.

O discurso das facções, “damos mais conforto e segurança que o Estado”, não encontra eco aqui. No DF, quem é faccionado não manda. No DF, faccionado vive acuado. Mas o alerta é real: elas estão aqui, esperando uma falha. Se PCC e CV não existissem na região, não haveria tantas operações bem-sucedidas. A presença é concreta. O risco também.

Por isso, é indispensável fortalecer ainda mais a Polícia Penal, que é a linha de frente contra o crime organizado dentro do sistema prisional.

O próximo passo: ciclo completo de polícia dentro da execução penal

Eu, João Renato, defendo uma mudança essencial: implementar o ciclo completo de polícia na execução penal. Quando um crime é praticado durante o cumprimento da pena, a Polícia Penal deve poder: investigar; concluir o inquérito; e entregar o caso ao Ministério Público. Isso tornaria o combate às facções mais rápido, eficiente e preciso. Dentro do cárcere há um oceano de informações valiosas sobre o crime organizado. Falta transformar esse potencial em política pública permanente.

Conclusão

O DF mostrou que é possível bloquear o avanço das facções. Mas para continuar vencendo essa guerra, precisamos ser ainda mais rápidos, estratégicos e organizados que o crime. O caminho existe. Agora é fortalecer o modelo, para torná-lo mais forte, ágil e efetivo.

Matéria enviada por João Renato B. Abreu
João é policial penal do DF, mestre em Direito e Políticas Públicas, pós-graduado em Direito Penal e Controle Social, coordenador do NISP – Novas Ideias em Segurança Pública, faixa preta de jiu-jitsu, autor do livro Plea Bargaining?! Debate Legislativo – Procedimento Abreviado pelo Acordo de Culpa.

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