Política

PF mira deputados do PL em operação contra desvios de verbas parlamentares

80

A Polícia Federal realizou mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, e Carlos Jordy (PL-RJ), em uma investigação sobre desvios de recursos da cota parlamentar. Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a operação também incluiu a quebra de sigilo bancário dos parlamentares. Na residência funcional de Sóstenes Cavalcante, em Brasília, os agentes encontraram R$ 430 mil em espécie. A ação, batizada de Operação Galho Fraco, apura o uso de empresas de fachada para contratar serviços fictícios ou irregulares de locação de automóveis, com indícios de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Assessores como Itamar de Souza Santana, ligado a Jordy, e Adailton Oliveira, ligado ao PL e a Sóstenes, são apontados como operadores do esquema.

De acordo com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), a empresa Harue Locação de Veículos recebeu R$ 214 mil de Jordy e R$ 192,4 mil de Sóstenes entre janeiro de 2020 e abril de 2024. Investigações revelaram que a empresa não opera no endereço declarado, possui apenas cinco veículos e envolveu cobranças “por fora” via mensagens de WhatsApp. Há suspeitas de “smurfing”, com depósitos e saques fracionados em valores até R$ 9.999,00 para burlar fiscalizações. O ministro Dino justificou as medidas com base em relatórios de inteligência financeira e conversas extraídas de celulares, destacando movimentos incompatíveis com rendimentos declarados. A operação é um desdobramento de inquérito iniciado há um ano, na Operação Rent a Car, e autoriza compartilhamento de dados com a Receita Federal.

Os deputados negam irregularidades e alegam perseguição política. Sóstenes Cavalcante afirmou que o dinheiro encontrado tem origem lícita, de uma venda de imóvel, e que apresentará documentos para comprovação. Em coletiva, ele se disse vítima de ataques por ser da oposição conservadora. Carlos Jordy, em nota e vídeo nas redes sociais, criticou a operação como indevida, defendendo que a empresa existe há anos e presta serviços a vários parlamentares. Ele questionou a classificação da locadora como de fachada e lamentou buscas na casa de seus pais idosos. A ação ocorre em uma semana de reveses para o PL, incluindo cassações de mandatos de Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro.

Conteúdos relacionados

Conjunto de apartamentos novos no Itapoã Parque, Brasília, em estilo fotojornalístico realista.
Distrito FederalPolítica

Governador Ibaneis Rocha entrega 480 apartamentos no Itapoã Parque

Governador Ibaneis Rocha entrega 480 apartamentos no Itapoã Parque, beneficiando famílias de...

Complexo residencial Reserva do Parque com edifícios modernos e área verde no Distrito Federal, investimento de R$ 1 bi em 7 mil apartamentos.
Distrito FederalEconomiaPolítica

GDF lança Reserva do Parque com 7 mil apartamentos e R$ 1 bi de investimento

GDF lança o Reserva do Parque com 7.020 apartamentos e mais de...

Distrito FederalPolítica

CLDF lança ‘Mandato de Valor’ em meio a escândalos e descrédito político

Descubra como a CLDF lançou a segunda edição de 'Mandato de Valor'...

Edifício da CLDF em Brasília com documentos espalhados, representando atraso na regulamentação de lei antissupremacista.
Distrito FederalPolíticaSegurança

CLDF atrasa regulamentação de lei antissupremacista e expõe falhas no combate ao extremismo

Descubra como a CLDF atrasa a regulamentação da lei antissupremacista, expondo falhas...