A consultoria Safras & Mercado divulgou nesta segunda-feira (22/12) sua primeira projeção para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil, estimando uma produção de 600 milhões de toneladas, o que representa um leve aumento de 0,84% em relação ao ciclo anterior. No entanto, as condições climáticas adversas, com chuvas abaixo da média desde agosto deste ano e previsões de precipitações limitadas em janeiro de 2026, devem restringir o avanço da moagem. A consultoria destacou que, apesar de dezembro de 2025 registrar chuvas acima da média até o momento, o padrão de precipitações fracas na entressafra pode prejudicar o desenvolvimento da cana, resultando em um crescimento marginal, próximo à estabilidade. Considerando as regiões Norte e Nordeste, a safra nacional é projetada em 660,2 milhões de toneladas, com um ligeiro acréscimo de 0,95%.
Em contrapartida, a produção de açúcar no centro-sul deve cair 5%, alcançando 38 milhões de toneladas, influenciada pelos preços baixos no mercado internacional devido ao aumento da oferta da China, Índia e Tailândia, além de um superávit global de 11 milhões de toneladas estimado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para 2025/26. Já o etanol apresenta perspectivas de crescimento significativo: o hidratado deve atingir 19,3 bilhões de litros, com alta de 4,32%; o anidro, 13,15 bilhões de litros, avançando 14,35%; e o de milho, 4 bilhões de litros, com aumento de 3,9%. Segundo a Safras & Mercado, esse incremento reflete a maior demanda impulsionada pela implementação do E30 (mistura de 30% de etanol na gasolina) e uma arbitragem favorável para o hidratado em relação ao açúcar bruto de Nova York, levando as usinas a priorizarem a produção de etanol em detrimento do açúcar.