A Câmara Legislativa do Distrito Federal prepara a abertura de uma exposição que, embora apresentada como espaço de diálogo, carrega o risco de aprofundar divisões ao priorizar pautas ideológicas em um órgão público. A mostra “Linhas da Resistência”, com 27 obras de 22 artistas, chega ao hall de entrada da CLDF em 3 de junho de 2026 e permanece até o fim do mês, dentro da programação do “Junho de Lutas”.
Programação e curadoria questionadas
O evento, concebido por Janaina Barros e curado por Thereza de Castilho e Silva e Rosana Paulino, reúne gravuras, pinturas, colagens, fotografias e instalações que tratam de direitos humanos, memória, meio ambiente, feminismo, antirracismo e luta por moradia. As visitas ocorrem de segunda a sexta, das 9h às 17h, com atividades educativas que podem transformar o espaço legislativo em arena de ativismo. Críticos apontam que a iniciativa, patrocinada pelo deputado Gabriel Magno (PT) e pelo Conselho Curador de Cultura da CLDF, utiliza estrutura pública para amplificar vozes alinhadas a uma única visão de mundo.
A exposição traz vozes que muitas vezes são silenciadas. São artistas que, por meio de suas obras, denunciam injustiças, celebram resistências e constroem pontes entre o passado e o presente. É uma oportunidade para refletirmos sobre o papel da arte como instrumento de transformação social
deputado Gabriel Magno (PT)
Impacto no espaço público
Com artistas de diversas regiões do Brasil, a mostra celebra resistências, mas também expõe o uso de recursos legislativos para temas que frequentemente polarizam a sociedade. A presença de obras em um local de tramitação de leis levanta dúvidas sobre a neutralidade institucional e sobre a conveniência de transformar o hall da CLDF em palco de denúncias seletivas. Enquanto isso, o deputado afirma que cada traço carrega história de luta, sem esclarecer se o foco exclusivo em certas pautas reflete a pluralidade esperada de um parlamento.
Cada linha, cada traço, cada cor carrega uma história de luta e de esperança. Esta exposição é um convite para olharmos com mais atenção para as resistências que acontecem no nosso país
Gabriel Magno