Reunidos no Rio de Janeiro, prefeitos e líderes de cidades de 20 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Argentina e outros, comprometeram-se a apoiar as metas climáticas nacionais e apresentaram mais de 2,5 mil projetos locais para mitigação e adaptação às mudanças climáticas. A Declaração dos Líderes Locais à COP30, divulgada ao final do Fórum de Líderes Locais, enfatiza a construção de comunidades resilientes, o acesso a energia renovável, a redução de emissões de gases de efeito estufa e a proteção de florestas e biodiversidade. Os signatários, representando mais de 14 mil cidades, municípios, estados e governos regionais, assumiram três compromissos principais: apoiar os países na implementação de metas climáticas com uma transição justa; garantir um portfólio de projetos financiáveis para canalizar recursos; e promover colaboração multinível para implementação e responsabilização. O documento destaca que 80% das emissões globais vêm de cidades, onde vive a maior parte da população, e no Brasil, 82% das pessoas residem em áreas urbanas.
Apesar da ausência confirmada dos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, na COP30, e de suas decisões de sair do Acordo de Paris, representantes locais desses países participaram do evento no Rio. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou que o fórum demonstrou a capacidade das cidades para transformações climáticas, enfatizando a necessidade de converter compromissos em recursos financeiros, especialmente para o Sul Global. Já o prefeito de Belém, Igor Normando, destacou a importância de priorizar municípios nas discussões climáticas, pois é nas cidades que a vida acontece, e celebrou a realização da COP30 na Amazônia como uma oportunidade para que a região, historicamente negligenciada, participe ativamente das decisões que a afetam.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, defendeu a cooperação entre governos federal, estaduais e municipais para enfrentar eventos climáticos extremos, que afetam 1.942 municípios brasileiros mapeados desde 2012. Ela propôs ações contínuas como sistemas de alerta e rotas de fuga, e enfatizou a necessidade de adotar uma postura “sustentabilista”, integrando meio ambiente, sociedade e economia, independentemente de orientações políticas, rejeitando o negacionismo.