A governadora Celina Leão assinou ordens de serviço para ampliar o saneamento em São Sebastião, incluindo adutoras e o Sistema de Esgotamento Sanitário do Residencial Vitória, mas a medida chega após décadas de negligência que deixaram milhares de famílias sem água tratada e expostas a condições precárias de saúde.
Três décadas de espera por água tratada
Moradores do Morro da Cruz e do Capão Comprido relataram sofrimento constante com a falta d’água, dependendo de poços vizinhos que falhavam com frequência. José Wilson Magalhães destacou que a conta extra será paga porque água é vida, enquanto Joseana Ferreira lembrou a dificuldade diária de correr atrás de vizinhos para lavar louça.
Espero que melhore. A gente vinha sofrendo bastante. Por mais que seja uma conta a mais, vai ser bem paga, porque água é vida. Tem uma vizinha que abriu um poço e cede água para a gente, mas uma hora ela está em casa, outra hora falta água e ela não está. Sem água ninguém vive.
José Wilson Magalhães
Investimento de R$ 153 milhões após atrasos
O presidente da Caesb, Luis Antonio Reis, confirmou que as obras incluem 9 km de adutora e 9,1 km de rede coletora, além de reservatórios, para atender mais de 12 mil famílias. Mesmo assim, a população do Residencial Vitória e áreas próximas continuou dependendo de poços até a assinatura das ordens de serviço na quinta-feira.
Quando a gente chega, já não tem mais água. Aí tem que correr atrás do vizinho para arrumar água e poder pelo menos lavar uma louça. Para a gente vai ser ótimo, porque água encanada é outra coisa, água tratada. Tudo legalizado é melhor.
Joseana Ferreira
Impacto na qualidade de vida em Brasília
Apesar dos R$ 153 milhões anunciados, a assinatura das ordens de serviço expõe o descaso histórico com regiões periféricas de Brasília, onde a ausência de saneamento básico comprometeu a saúde e a dignidade de gerações inteiras até agora.