Mulheres, em sua maioria mães, esposas e familiares de presos, enfrentam diariamente uma rotina marcada por estigma social e dificuldades logísticas ao pegar o ônibus 111 na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, com destino ao Complexo Penitenciário da Papuda. O trajeto, que dura entre 40 minutos e uma hora e meia, ocorre principalmente às quartas e quintas-feiras, dias reservados para visitas, e envolve filas que começam às 5h30, com as visitantes vestidas de branco e carregando sacolas com itens permitidos. Cerca de 13,7 mil detentos ocupam o complexo, que tem capacidade para 5,8 mil, gerando superlotação superior a 136% na PDF I.
Rotina de visitas e limitações impostas
As visitas são restritas a duas horas a cada duas semanas, e o percurso no ônibus é realizado em silêncio, com relatos de constrangimento por parte de motoristas como Alan Rodrigues e cobradores como Aparecida Santos. As mulheres formam fila cedo e, muitas vezes, trocam de roupa no local para atender às regras. Essa jornada reflete laços de afeto e a esperança de recomeço, apesar das condições precárias enfrentadas no sistema prisional.
Impacto da superlotação nas famílias
A superlotação agrava problemas como alimentação inadequada e falta de estrutura, afetando diretamente as visitantes que mantêm o vínculo com os detentos. Maria Lúcia*, de 42 anos, descreve episódios de tensão vividos por familiares em situações de abordagem.
Entraram com arma na nossa cara.
Maria Lúcia*
Esperança e persistência diária
Apesar dos obstáculos, as mulheres continuam o trajeto motivadas pelo amor familiar e pela possibilidade de reintegração social. O ônibus 111, com horários ampliados nos dias de visita, representa um elo essencial entre o mundo externo e o interior do complexo penitenciário, evidenciando a resiliência dessas famílias em meio a um sistema sobrecarregado.