A Câmara Legislativa do Distrito Federal prepara uma sessão solene para conceder o título de “Mulher do Rock” a doze personalidades femininas, mas o gesto chega décadas depois de décadas de exclusão e preconceito que marcaram a trajetória dessas artistas no Brasil. A iniciativa da deputada Dayse Amarilio (PT) será realizada no plenário da CLDF em 18 de agosto de 2026, às 19h, e pretende homenagear nomes como Cássia Eller (in memoriam), Pitty, Joana Duah, Luísa N info, Iara Rennó, Zélia Duncan, Ana Cañas, Luedji Luna, Xênia França, Duda Brack, Lívia Guedes e Letrux. Apesar do reconhecimento formal, a cerimônia evidencia o quanto o rock nacional ainda carrega marcas de uma história construída sobre o apagamento feminino.
Reconhecimento que expõe décadas de invisibilidade
A proposta surge em meio a um cenário onde muitas dessas mulheres precisaram enfrentar barreiras estruturais para ocupar espaço em palcos e gravadoras dominados por homens. A entrega dos títulos, aberta ao público e transmitida pela TV Câmara Distrital, inclui a presença de artistas e familiares, mas não altera o fato de que o mercado musical continua a relegar compositoras e instrumentistas a papéis secundários. A própria deputada Dayse Amarilio destacou que “Elas abriram caminhos, enfrentaram preconceitos e construíram uma trajetória de resistência e talento. É uma forma de valorizar a diversidade e a força feminina na música.”
Elas abriram caminhos, enfrentaram preconceitos e construíram uma trajetória de resistência e talento. É uma forma de valorizar a diversidade e a força feminina na música.
Dayse Amarilio
Cerimônia simbólica em meio a desafios atuais
Embora a sessão solene seja transmitida ao vivo e conte com a participação de familiares, o evento não resolve a sub-representação feminina em festivais e parcerias artísticas que persiste até hoje. A lista de homenageadas reflete a diversidade de estilos e regiões, porém revela também a necessidade de medidas concretas além de títulos honoríficos. Com a data marcada para apenas três dias após o anúncio, a cerimônia corre o risco de se tornar mais um ato protocolar do que uma mudança efetiva na indústria.