O seminário “Direito Eleitoral Contemporâneo: Representação Política e Integridade Eleitoral” teve início na Câmara Legislativa do Distrito Federal em Brasília e expôs as graves deficiências que ainda marcam o processo eleitoral brasileiro em ano de eleições municipais. Juristas, advogados, magistrados e parlamentares se reuniram para discutir paridade de gênero, financiamento de campanhas, fake news e o papel das instituições, mas os debates revelaram que avanços concretos permanecem distantes. O evento, organizado pela CLDF, Escola Superior de Direito da Câmara e TRE-DF, ocorre entre 1º e 2 de julho de 2026 com transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital e canal da CLDF no YouTube, contando com a presença do deputado Wellington Luiz (MDB) e do ministro do TSE André Ramos Tavares.
Paridade de gênero ainda enfrenta resistência estrutural
A professora da UnB Luciana Dias destacou durante os painéis que as cotas de gênero, embora necessárias, não bastam para mudar a realidade das candidaturas femininas. Os participantes reconheceram que a violência política contra mulheres continua a afastar potenciais lideranças, enfraquecendo a representatividade no Congresso e nas câmaras municipais. Essa constatação gerou críticas à lentidão das medidas institucionais, que parecem insuficientes diante do crescimento de ataques virtuais e físicos registrados nos últimos pleitos.
Fake news e financiamento opaco ameaçam a democracia
Especialistas alertaram para o impacto das fake news na integridade eleitoral, apontando que a desinformação circula com mais velocidade que as respostas oficiais das cortes eleitorais. O ministro André Ramos Tavares e outros debatedores também criticaram a falta de transparência no financiamento de campanhas, que favorece candidatos com maior poder econômico e dificulta o combate a doações ocultas. O presidente da CLDF abriu o seminário reconhecendo que as instituições precisam agir com mais firmeza para evitar que esses problemas se agravem nas eleições de outubro.
Precisamos avançar na paridade real, não apenas formal. As cotas são importantes, mas não suficientes sem o combate efetivo à violência política
Luciana Dias
Apesar da pluralidade de vozes presentes no evento, analistas avaliam que os debates técnicos ainda não se traduzem em reformas imediatas capazes de restaurar a confiança do eleitorado. O seminário termina nesta quinta-feira, 2 de julho de 2026, deixando no ar a sensação de que o sistema eleitoral brasileiro permanece vulnerável a distorções que afetam diretamente a qualidade da democracia.