Filas de caminhões que chegam a 40 quilômetros nos acessos aos portos de grãos no Pará elevam os custos logísticos da soja e reduzem a competitividade brasileira no mercado internacional. O problema atinge principalmente os portos de Santarém e Barcarena, além da rodovia PA-150, e também impacta o porto de Itaqui, no Maranhão. Produtores do Pará e do Matopiba relatam prejuízos crescentes devido à infraestrutura deficiente.
Causas do congestionamento nos portos
A expansão da fronteira agrícola no Matopiba e no Pará ocorreu sem que a infraestrutura de transporte acompanhasse o ritmo. A falta de pavimentação e manutenção das rodovias que ligam as áreas produtoras aos terminais portuários gera gargalos constantes. O aumento da produção de grãos sem investimentos correspondentes agrava o quadro, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará.
Repercussão entre entidades e produtores
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais alerta para a perda de mercado frente a concorrentes como Estados Unidos e Argentina. Caminhoneiros e agricultores destacam que o frete encarece toda a cadeia produtiva e limita o potencial de crescimento da região.
O custo logístico no Norte do país é muito alto. Em alguns casos, o frete representa mais de 30% do valor final do produto. Isso tira a competitividade da soja brasileira frente a outros grandes produtores, como Estados Unidos e Argentina
André Nassar
Entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil defendem ações integradas para ampliar a capacidade dos terminais e melhorar as rodovias federais e estaduais. O produtor de soja do sul do Pará ressalta que o ideal seria exportar pelo Norte, mais próximo das lavouras, mas o custo-benefício atual nem sempre compensa.