Mundo

Estudo francês projeta enfraquecimento de 51% na AMOC até 2100, superando IPCC

182
Ilustração mostra o padrão da Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC) — Foto: NOAA
Ilustração mostra o padrão da Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC) — Foto: NOAA

Um novo estudo publicado por pesquisadores franceses revela que a Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), uma corrente oceânica crucial para regular o clima global, pode enfraquecer em 51% até o ano 2100. Essa projeção supera significativamente os 32% estimados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), destacando uma subestimação nos modelos climáticos anteriores. O trabalho, divulgado em 15 de abril de 2026, combina dados reais de temperatura e salinidade da superfície do Atlântico para refinar as previsões.

Metodologia inovadora do estudo

Os cientistas da Universidade de Bordeaux e do centro de pesquisas Inria, na França, adotaram uma abordagem que integra modelos climáticos com observações reais dos oceanos. Eles analisaram como esses modelos reproduzem as condições atuais de temperatura e salinidade no Atlântico, identificando que apenas os mais precisos indicam um enfraquecimento maior da AMOC. Essa metodologia revela limitações nos modelos tradicionais, que não capturam adequadamente as dinâmicas observadas.

De acordo com os pesquisadores, o enfraquecimento projetado decorre de fatores como o derretimento de gelo polar e o aumento de águas doces no Atlântico Norte, que alteram a densidade e o fluxo da corrente. Ao priorizar modelos alinhados com dados empíricos, o estudo oferece uma visão mais realista das mudanças climáticas futuras.

Implicações para o clima global

A AMOC atua como uma esteira transportadora de calor dos trópicos para o hemisfério Norte, influenciando padrões climáticos em todo o mundo. Um enfraquecimento de 51% até 2100 poderia resultar em invernos mais frios na Europa, elevação do nível do mar na costa leste dos Estados Unidos e perturbações em ecossistemas marinhos. Esses impactos ressaltam a urgência de ações para mitigar as mudanças climáticas, conforme apontado pelos autores.

Além disso, a discrepância com as previsões do IPCC sugere que relatórios internacionais podem precisar de atualizações para incorporar dados mais precisos. Os pesquisadores enfatizam que entender melhor a AMOC é essencial para prever eventos extremos, como secas prolongadas ou inundações, afetando bilhões de pessoas globalmente.

Comparação com projeções anteriores

Enquanto o IPCC estimava um declínio de 32% na força da AMOC até o final do século, o novo estudo eleva essa taxa para 51%, baseado em simulações mais fiéis à realidade observada. Essa diferença surge porque modelos climáticos anteriores subestimavam o impacto de variações na salinidade e temperatura superficial. Os cientistas franceses argumentam que essa subestimação compromete a preparação para cenários climáticos mais severos.

O estudo, realizado no contexto do Oceano Atlântico, reforça a necessidade de monitoramentos contínuos e refinamentos em modelagens climáticas. Com a publicação ocorrida há apenas dois dias, em 15 de abril de 2026, espera-se que esses achados influenciem debates científicos e políticas ambientais nos próximos anos.

Conteúdos relacionados

Jay Z em 24 de novembro de 2024, em Washington — Foto: Terrance Williams/AP
MundoSegurança

Jane Doe retracta acusação de estupro contra Jay-Z na Justiça Federal

Uma mulher identificada como Jane Doe retractou as alegações de agressão sexual...

Acordo de livre comércio da UE com o Mercosul foi um dos aprovados pelo Congresso Yves Herman/Reuters - 29.4.2026
EconomiaMundoPolítica

Congresso aprova 74 acordos internacionais que valem a partir de 2027

O Congresso Nacional aprovou 74 acordos internacionais entre 2025 e 2026. Os...

Susan Sarandon e Hanna Einbinder são presas em protesto contra Benjamin Netanyahu, em 2026 — Foto: Madison Swart/AP
MundoPolíticaSegurança

Susan Sarandon e Hannah Einbinder são presas em protesto contra Netanyahu em Nova York

Duas atrizes foram presas perto da sede da ONU em Nova York...

Acordo internacional resultou de negociações que começaram em 2017 e terminaram neste ano Letícia Clemente/MRE – 16.09.2025
BrasilEconomiaMundo

Brasil aplica tratado de livre comércio com Efta a partir de 1º de outubro de 2026

O Brasil aplica o tratado de livre comércio com a Efta a...