A Câmara Legislativa do Distrito Federal sancionou, na última quinta-feira, uma lei que reconhece o Surdodesporto, mas a medida surge após décadas de descaso e não oferece garantias concretas de recursos ou estrutura para os atletas surdos da região.
A Lei nº 7.XXX obriga o Executivo a criar políticas públicas de incentivo e um calendário oficial de eventos, além de instituir o Dia Distrital do Surdodesporto em 15 de abril. No entanto, especialistas e representantes da comunidade apontam que a norma chega tarde e sem previsão orçamentária clara, repetindo o padrão de promessas que raramente se concretizam no Distrito Federal.
Impacto limitado para atletas
Embora a legislação determine ações de inclusão, a falta de investimentos anteriores já deixou marcas profundas. Atletas surdos continuam enfrentando barreiras de acesso a treinamentos adequados, competições regulares e apoio técnico qualificado, o que torna o novo calendário oficial mais simbólico do que transformador.
Reação da comunidade
Esta lei representa um marco importante para a comunidade surda, que há anos luta pelo reconhecimento e valorização do esporte como ferramenta de inclusão social e desenvolvimento pessoal. Com a sanção, esperamos que o governo avance na implementação de programas específicos que garantam o acesso e a participação plena dos atletas surdos.
Rogério Morro da Cruz
Entidades representativas de surdos no DF expressam ceticismo diante da sanção, temendo que a ausência de fiscalização e metas mensuráveis transforme a lei em mais um documento sem efeito prático. A expectativa agora recai sobre eventuais decretos regulamentadores, que ainda não possuem prazo definido.