Quase metade dos trabalhadores de aplicativos de entrega e transporte no Brasil ingressou no setor por falta de outra opção de emprego ou expectativa de maior renda, conforme revela a PNAD Contínua do IBGE. Os dados mostram que o número de profissionais atuando em plataformas como Uber, iFood, Rappi e 99 cresceu de 1,9 milhão em 2022 para 2,9 milhões em 2024. A pesquisa, divulgada em 4 de setembro de 2026, destaca tanto a busca por flexibilidade quanto as dificuldades no mercado formal.
Crescimento acelerado no setor
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua sobre Trabalho e Rendimento entrevistou trabalhadores de apps de entrega e transporte de passageiros em todo o país. O aumento de um milhão de pessoas em dois anos reflete a expansão das plataformas digitais e a atratividade dessa modalidade de ocupação. Muitos profissionais relatam que a atividade permite conciliar horários, mas a entrada costuma ocorrer diante de limitações no emprego tradicional.
Motivos que levam à adesão
De acordo com a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, a flexibilidade é um atrativo importante, porém a falta de alternativas no mercado formal também influencia bastante. A análise indica que a atividade tem atraído trabalhadores que enfrentam dificuldades para conseguir vagas com carteira assinada. O estudo ressalta ainda a busca por renda complementar como fator relevante para parte dos entrevistados.
Essa é uma atividade que tem atraído muitos trabalhadores, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades no mercado formal de trabalho. A flexibilidade é um atrativo, mas a falta de opção também pesa bastante.
Adriana Beringuy
Os resultados da PNAD Contínua reforçam a necessidade de políticas públicas que ampliem a proteção social para esses profissionais. O crescimento contínuo do setor exige atenção de governos e empresas para garantir condições adequadas de trabalho.