Na noite de 15 de junho de 2026, a Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou uma sessão solene em homenagem aos 40 anos do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da UnB, mas o evento revelou mais uma vez a distância entre discursos elogiosos e a precariedade persistente do SUS no Distrito Federal. Proposta pelo deputado Fábio Felix, a cerimônia reuniu pesquisadores e profissionais de saúde, sem contudo apresentar soluções concretas para os gargalos estruturais que afetam o sistema público.
Reconhecimento formal sem avanços práticos
O Nesp, representado por nomes como Maria Helena Magalhães e Emerson Elias Merhy, recebeu homenagens por sua trajetória de pesquisa e ensino. Ainda assim, a sessão evidenciou que quatro décadas de contribuições não impediram o agravamento de filas, falta de equipamentos e subfinanciamento crônico enfrentados diariamente pelos usuários do SUS na capital. Movimentos sociais presentes cobraram ações efetivas em vez de eventos protocolares.
Participação política e limitações do debate
Deputado Fábio Felix conduziu a sessão com foco na defesa da saúde como direito, mas a ausência de representantes do governo local e de propostas orçamentárias concretas reforçou a sensação de que o reconhecimento permanece restrito ao âmbito simbólico. Profissionais de saúde relataram que, apesar do histórico do núcleo, condições de trabalho e acesso da população continuam deterioradas.
Legado do nesp em xeque
O Núcleo de Estudos em Saúde Pública da UnB consolidou bases teóricas importantes para o SUS ao longo de quarenta anos. Entretanto, o formato solene escolhido pela Câmara Legislativa do Distrito Federal não alterou o quadro de desassistência que marca o cotidiano dos serviços de saúde, deixando clara a necessidade de políticas mais robustas além de homenagens pontuais.
O Nesp tem sido fundamental para a construção e o fortalecimento do SUS no Brasil. São quatro décadas de dedicação à pesquisa, ao ensino e à defesa da saúde como direito de todos
Fábio Felix